Num certo dia do mês de julho de 1843, quando em Coimbra e saudoso, em relação a sua terra natal, o grande poeta maranhense achou na poesia o refrigério da alma. Ao se sentir exilado em Portugal, num momento em que o Brasil Colônia rompia com a Coroa Portuguesa, exaltou os valores naturais do seu berço, o Maranhão.
Sim, refiro-me ao poema Canção do Exílio, um dos mais
emblemáticos do Romantismo, na Literatura Brasileira, como também o foi seu
autor, Gonçalves Dias. Daquela saudosa e inspiradora data, nascia e se eternizava
um belo poema de um poeta igualmente imortal.
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| Paisagem típica da Baixada Maranhense, com seus campos inundáveis e casas de sobrados do Pantanal do Maranhão. Foto: SBPC/Baixaki |
Hoje, sinto-me saudoso como o poeta, mas exilado da minha terra na clausura do meu próprio lar, confinado que estou pelo distanciamento social da pandemia da Civid-19, que optei por transformar em isolamento, para o meu próprio bem e dos meus pais, já idosos, logo, pertencentes ao grupo de risco.
Longe de cantar em palavras versejadas como o grande Dias,
mas não sendo pequena a saudade da minha terra, tão distante e tão próxima, e
sentindo-me mesmo exilado no meu próprio torrão, ouso cantarolar alguns versos
mal começados e mal acabados, mas expressão de um sentimento sincero de um eterno aprendiz: Canção do
Claustro.
Só quero voltar às minhas caminhadas sadias e contemplativas nos arredores da cidade, repletas daquela beleza de amanhecer e entardecer da Baixada, com suas palmeiras e campos inundáveis no nosso majestoso Pantanal Maranhense
Voltar às minhas viagens Brasil afora e Maranhão adentro, e aos passeios rotineiros nas entranhas no meu lugar, na zona rural do meu Arari, tão verdejante e rico em paisagens e pássaros, flores e frutos.
Quero voltar a tantas boas festas de colheita, em suas comunidades campestres diversas, com seu reggae de trincar tímpanos e seus torneios de futebol, coisas nas quais sua gente simples se esbalda em felicidade, dança suas dores em cada pedra de responsa e se distrai das desventuras, enquanto embala o corpo em cada partida, competindo por grades de cerveja barata, nos seus campos de várzea. Cerveja ganhada por uns e bebida por todos, diga-se de passagem.
Quero de novo, ver gente e coisas da minha terra, como bem retrata
o poeta José Fernandes; viver sem vergonha, como diz aquela bela canção da
live do último domingo de confinamento: "viver e não ter a vergonha de
ser feliz...".
E como voto de fidelidade, prometo levar a vida simples de antes, e
se possível mais humilde ainda. Depois desse agora tão demorado, nesse meu
claustro em que se converteu meu lar, só quero meu ir e vir de volta, ser bicho
solto no grande aras dessa planície fértil.
E, enquanto isso não chega, sigo enclausurado, mas não abro mão
da voz nem da pena, porque a inspiração não tem distância, a poesia não respeita
paredes e entra por essa porta agora, para me fazer cantar. Porque se viver não
é preciso, cantar é preciso.
Carpe Diem!



Belo, poético e tocante. O texto, o poema, reflexão... Ouso dizer: -Você era feliz e sabia! E saberemos muito mais aproveitar essa felicidade diária. Super abraço. Evoé! Brisas poéticas!
ResponderExcluirMeu estimado confrade, o seu texto é de uma beleza extrema. O sentimento de clausura é de todos nesse momento complicado em que vivemos. Seu texto evoca a felicidade que vivíamos antes, e que esperamos que pesse rápido essa clausura obrigatória. Fantástico. Parabéns!
ResponderExcluirLindo texto. Para se ler, no mínimo, duas vezes!
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