Pular para o conteúdo principal

Nunca se abandone

Numa manhã nublada, acordei insatisfeito com situações da vida. Perguntei-me várias e várias vezes o porquê de situações correntes e iguais. No quarto, na cama, olhando para o teto, via o simples abandono, o simples silêncio, o vazio. Seria eu, apenas um receptáculo desabitado? Onde fui? Onde me deixei?

Autoabandono. Fonte: Psicologia e Vida

Então, passei os olhos sobre o quarto e vi meu rádio empoeirado, malas sujas e uma rachadura na parede. O tempo deixa empoeirado o que não se cuida. A parede rachada é um processo de abandono ou até de uma má construção. Por mais que se mascare com cimento ou argamassa, por dentro a rachadura permanecerá ali.

Nessa consonância, acabei entendendo que, no caminho, aconteceu o abandono de mim mesmo. Já não tinha domínio sobre minha subjetividade e o receptáculo estava empoeirado e com algumas rachaduras. Assim como o tempo deixa poeiras, ele limpa também. Assim, busco compreender tudo e fazer acontecer, o reinventar-me

Nunca se abandone! A maior defesa é proteger o que se é por dentro. Proteja-o, para que não possa se perder e que ninguém venha a roubá-lo de si mesmo.  Pois, afinal, como diz Sol D’Viver, “Resolvi de agora em diante, dar-me mais atenção, afinal, sou uma excelente companhia!”.

Zequinha Gonçalves

Zequinha Gonçalves é arariense. Licenciado em pedagogia, rotineiramente escreve suas crônicas com base em sua vida pessoal e social. Não se define escritor, porém é amante da literatura.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vermelho fúnebre

Ricardo Lopes Ricardo M Lopes é brasileiro, nascido em São Luís, com alma arariense. Formado em Designer de Interiores, é amante da boa arte em geral e da poesia. Tem participação no livro "Poesia Arariense: coletânea poética em rede" (Instituto Perone, 2014), com o poema Inspiração. 

Amores e amores

É tão simples idealizarmos o amor perfeito ou a relação perfeita. O complexo é quando caímos na realidade e percebemos o tamanho da ilusão. Nessa hora, o sofrimento é certo. Haja as “sofrências” e o álcool! Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. Somos imperfeitos e, por isso, não existe relacionamento perfeito. Estamos sempre sujeitos a erros, além de pensarmos, agirmos e sentirmos diferentes. E ainda bem que somos diferentes!    Entendo que somos construídos e construímos relações. Nenhum relacionamento vem pronto e nem existe cartilha para isso. Relacionamento é processo, é construção, é escolha, é certeza e reciprocidade. Imagem: Pixabay E sobre o amor? Cada um tem o seu jeito amar e de demonstrar. Nem por isso ama mais ou menos, apenas ama diferente. Mas sempre carregamos a infeliz ideia de que o outro tem que nos amar da mesma forma que nós ou da forma que idealizamos. Isso causa muito problema. Mas todos nós já passamos por processos assim. Faland...

Ser escritor

“Escrever e ler são formas de fazer amor. O escritor não escreve com intenções didático – pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta ou são de vida longa e tediosa” (Rubem Alves) Dedico esta crônica a todos os escritores em especial aos da Academia Maranhense de Letras – AML e Academia Luminense de Letras – ALPL, da qual sou membro efetivo. Em 19 de setembro, dia do Teatro Nacional e nascimento de Paulo Freire, tive o privilégio de participar de uma reunião com os imortais da Academia Maranhense de Letras – AML. Escritores que compõem a entidade literária máxima do estado do Maranhão, fundada em 10 de agosto de 1908. Estavam presentes: Sebastião Moreira Duarte, Manoel Aureliano Neto, Sebastião Jorge, José Ribamar Ewerton Neto, Benedito Bogéa Buzar, Elsion Coutinho, Carlos Thadeu Pinheiro Gaspar, Alex Brasil, José Carlos Sousa Silva, Lourival de Jesus Serejo S...